É frustrante desistir do que eu achava que era meu sonho

Quando eu tinha 6 anos eu escrevi que quando eu crescesse eu seria cantora e aos 40 anos eu teria cabelo vermelho e iria à missa aos domingos.

(Meus pais não são religiosos e não tem o costume de ir na igreja, mas minha avó materna, sim. Ou seja, eu pensei que 40 anos era uma pessoa velha e fiz essa associação)

Pelo contexto que eu estava inserida e pela experiência de uma criança de 6 anos, essa era a bagagem para eu definir o que seria o ideal para a Gabi quarentona.

Hoje eu acho engraçado, porque não faz o menor sentido.

Nessa mesma linha de raciocínio, só que com 20 anos de diferença, eu me vejo refletindo sobre minha situação atual.

2 semanas atrás eu decidi abrir mão do emprego que eu, desde os 18 anos, acreditava que seria realização profissional da Gabi administradora de 25 anos.

Na tentativa de me encaixar, eu acreditei que se eu chegasse aos 25 trabalhando em uma multinacional, com uma geladeira inox na cozinha, dinheiro para comprar equipamentos para eu fazer o esporte que eu tivesse vontade e podendo dar presentes de Natal para todo mundo que eu amo, eu poderia ganhar o selo de “bem sucedida”.

Esse plano foi o que a Gabi desenhou aos 18 e aos 25 eu estou/estava exatamente onde eu escrevi que queria estar. Estudei, me conectei com pessoas incríveis, estudei mais um pouco, me posicionei da forma que era necessária para a sorte jogar ao meu favor.

Tudo certo, né? Não. Errado

Quando conquistei isso tudo, percebi que estava vazia. E isso me frustrou. Porque eu quis muito isso, ou achava que queria.

Fiquei me questionando, buscando explicações do porquê eu estar tão incomodada, afinal “Caraca, Gabriela. Era isso que você sempre quis.”…

“Desistir de novo?”. “Que mimada”. “Vai ficar pulando de galho em galho até quando?”. “Você não consegue encaixar em lugar nenhum”.

Fiquei com isso na cabeça, dormia e acordava pensando no que fazer.

Não era problema com o job description, não tinha a ver com meus pares, não era isso. Era que me falta tesão!

Sei que não existe o emprego dos sonhos. Trabalho é trabalho. Não tem que ser legal o tempo todo, se fosse pra ser divertido eu ia pra um parque de diversões. Só que claramente eu não estava feliz.

Sabe o que é, a Gabi é ótima, a empresa também é ótima, mas não tava sendo ótima a combinação. E isso dava para perceber no meu tom de voz.

Com um pouco de reflexão eu percebi que a bagagem que a Gabi de 18 anos tinha quando escreveu era outra. O que eu tinha me levava para essa projeção. Mas as coisas mudam.

De certa forma é frustrante e até um pouco vergonhoso abrir mão de um trabalho que eu achava que era meu sonho.

Por outro lado, que bom que ainda tem espaço para traçar outros objetivos.

A decisão foi tomada. Renúncias fazem parte.

Agora, Gabriela, é sustentar.

Vou revisitar meus escritos e reescrever as próximas páginas da minha vida.

Os espaços vazios são separados para a vida surpreender.

Treinando para o meu primeiro IronMan 70.3. Nesse espaço compartilho minha jornada e várias versões da Gabriela. Sejam bem-vindos!

Treinando para o meu primeiro IronMan 70.3. Nesse espaço compartilho minha jornada e várias versões da Gabriela. Sejam bem-vindos!